Manaus – Uma operação coordenada pela ROCAM na noite desta terça-feira (17) revelou o nível de audácia do crime organizado no bairro Compensa II, Zona Oeste de Manaus. O que começou com a denúncia de um vídeo chocante — onde um infrator disparava um fuzil calibre $5.56$ em plena via pública — terminou em uma grande apreensão de munições de guerra, drogas e a prisão de três envolvidos em uma estrutura de apoio ao tráfico.
Tática de Distração e Vandalismo
A ocorrência não expôs apenas o poder de fogo dos criminosos, mas também uma estratégia de “guerrilha urbana”. Enquanto os policiais realizavam incursões no Beco Manaus, indivíduos tentaram bloquear a Avenida Brasil com atos de vandalismo. Segundo a polícia, a intenção era obstruir a via principal para desviar a atenção das equipes e facilitar a fuga de lideranças do tráfico. Esse cenário de barricadas em uma das avenidas mais movimentadas da cidade evidencia o desafio do Estado em manter o domínio da ordem pública.
Arsenal de Guerra e Logística do Tráfico
No local da denúncia, os policiais encontraram um cenário que confirma o pânico relatado pelos moradores: dezenas de cartuchos deflagrados espalhados pelo chão e até sobre o telhado das casas. Dentro de uma residência, foi desarticulada uma base logística que contava com:
- Munições de Uso Restrito: 52 deflagradas de calibre $5.56$, além de 32 munições intactas de calibres $5.56$ e $7.62$.
- Entorpecentes: Mais de 650 porções de cocaína, maconha e oxi.
- Estrutura Comercial: Balanças de precisão, dinheiro em espécie e até máquina de cartão de crédito.

Resposta Institucional e a Sensação de Insegurança
Três pessoas foram levadas ao 19º DIP, incluindo a irmã do suspeito que autorizou a entrada na casa. Embora a ação da PM tenha sido rápida em retirar o material de circulação, o episódio deixa uma marca profunda na comunidade. A facilidade com que armamentos de alto calibre são disparados em áreas residenciais reforça a necessidade de um policiamento não apenas reativo, mas de uma ocupação estratégica que impeça o crime de se sentir “dono” das ruas. A população segue em alerta, esperando que operações como esta sejam o início de uma presença estatal mais firme e contínua em áreas críticas.

