A investigação sobre o flagrante de R$ 1,2 milhão em espécie, ocorrido em maio no Aeroporto de Brasília, ganhou novos desdobramentos nesta quarta-feira (31). De acordo com informações da Polícia Federal divulgadas pelo portal UOL, os três empresários presos possuem ligações estreitas com o deputado federal Adail Filho e seu pai, o prefeito de Coari, Adail Pinheiro. Os agentes agora apuram um possível esquema de desvio e lavagem de dinheiro envolvendo recursos públicos federais.
Contratos milionários e emendas parlamentares
Durante a apuração, a Polícia Federal identificou que as empresas de Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho mantinham negócios ativos com a gestão municipal de Coari. Atualmente, os investigadores calculam que os contratos somam aproximadamente R$ 6 milhões. Além disso, o inquérito analisa transações suspeitas relacionadas a emendas parlamentares destinadas ao município, o que levanta indícios de um ciclo de desvio de verbas.
Um dos exemplos citados envolve a empresa de Cesar de Jesus, que venceu um pregão em 2025 para fornecer equipamentos de proteção individual à Secretaria de Saúde de Coari. Entretanto, a Polícia Federal notou inconsistências graves nos depoimentos dos envolvidos. Inicialmente, os suspeitos alegaram que o dinheiro serviria para comprar materiais em Goiás, mas não apresentaram documentos que comprovassem a origem lícita do montante.
O posicionamento de Adail Filho
Diante das revelações, o deputado federal Adail Filho negou qualquer relação comercial com os investigados. Todavia, o parlamentar admitiu que forneceu apoio político a Vagner Moitinho, disponibilizando motorista e gabinete após um pedido do vereador Lucas Moitinho, de Presidente Figueiredo. Segundo o deputado, essa prática de suporte é comum entre seus aliados políticos. Ele reafirmou que possui apenas duas empresas registradas em seu nome e que não recebe pagamentos dos empresários detidos.
Cenário jurídico e próximos passos
Por outro lado, o prefeito Adail Pinheiro ainda não se manifestou oficialmente sobre os contratos citados pela reportagem. A Polícia Federal continua cruzando dados bancários e fiscais para entender se os valores apreendidos no aeroporto representam um retorno de propina ou lavagem de capitais. Em suma, o caso coloca a gestão de Coari sob forte escrutínio das autoridades federais e deve gerar novos desdobramentos no cenário político do Amazonas.
Histórico Jurídico: Processos de Adail Pinheiro
O atual prefeito de Coari possui uma trajetória marcada por diversas passagens pela justiça, acumulando condenações em diferentes esferas ao longo das últimas décadas.
- Crimes Sexuais: Em 2014, o Tribunal de Justiça do Amazonas condenou Adail a 11 anos e 10 meses de prisão por chefiar uma rede de exploração sexual de menores. Embora tenha recebido indulto em 2016, a validade da condenação original permanece registrada em seu histórico.
- Fraudes e Corrupção: No âmbito federal, ele enfrentou a Operação Matusalém, resultando em uma condenação de 11 anos e 8 meses em 2018. O Ministério Público Federal comprovou fraudes no sistema previdenciário para beneficiar a prefeitura e o pagamento de propinas.
- Improbidade Administrativa: Diversas ações civis questionam a legalidade de suas gestões anteriores. Atualmente, o Ministério Público Eleitoral defende sua inelegibilidade baseada nessas condenações que ainda geram efeitos jurídicos.
- Lavagem de Dinheiro: O caso mais recente envolve justamente a apreensão do R$ 1,2 milhão no aeroporto, onde a PF investiga se o valor é fruto de retorno de propina de contratos municipais.

