A operação da Polícia Federal contra funcionários da Receita Federal gerou um forte mal-estar nos bastidores do Supremo Tribunal Federal nesta terça-feira. O ministro Alexandre de Moraes determinou a devassa para investigar o vazamento de dados sigilosos de parentes de magistrados da corte.
Dois ministros do STF classificaram a medida como absurda e apontaram possíveis indícios de abuso de autoridade na condução do caso. A falta de comunicação prévia sobre a existência de acessos indevidos aos sigilos fiscais surpreendeu negativamente os integrantes do tribunal.
Indícios de abuso de autoridade
O avanço da Polícia Federal sobre os servidores da Receita Federal acendeu um alerta entre os magistrados que não integram o círculo próximo de Moraes. Esses ministros acreditam que a ação ultrapassou os limites institucionais e demonstra um foco excessivo na punição dos vazadores.
O magistrado prioriza a descoberta de quem acessou os dados enquanto evita dar explicações detalhadas sobre os valores milionários recebidos pelo escritório de sua esposa. O envolvimento de R$ 130 milhões com o Banco Master continua como um ponto central de cobrança por parte da opinião pública.
Falta de transparência interna
O fato de Moraes não ter informado o plenário sobre as suspeitas de quebra de sigilo fiscal causou desconforto imediato entre os pares. Os ministros ouvidos sob reserva defendem que uma investigação dessa magnitude deveria ter sido compartilhada com os demais membros da corte.
A ala crítica do Supremo vê na postura do magistrado uma tentativa de controlar o fluxo de informações sensíveis que afetam sua própria família. O clima de tensão no tribunal reflete a divergência sobre como tratar o equilíbrio entre a proteção da privacidade das autoridades e o direito à informação.

